
A PREPARAÇÃO DO ATOR
Este livro é uma contribuição de Constantin Stanislavski, o fundador do Teatro de Arte de Moscou, para o teatro e seus estudiosos do mundo inteiro. Neste livro são explicadas coisas que sempre perturbaram os atores e fascinaram os estudiosos: Como descontrair, como controlar o corpo. Como estudar um papel, trabalhar com a imaginação, construir "de dentro" uma atuação. Como trabalhar com outros atores, o intercâmbio. Todos estes assuntos são discutidos e examinados com magistral clareza e simplicidade.
BY:Jeferson Gomes
Capítulo I Nesta aula, Stanislavski pediu para Tórtsov, diretor da escola e teatro, algumas demonstrações de caracterizações externas. Ele explicou que sem uma forma externa de caracterização, para o público fica difícil a visualização e o traçado interior do papel que está sendo realizado. Depois de alguns exemplos de truques externos, verificamos que a sua personalidade estava oculta, mas Tórtsov não havia realizado nenhuma adaptação interior. Mas, como encontrar o truque certo? Isto é coisa que se aprende na vida, nos livros ou estudando anatomia. Tórtsov explicou que cada indivíduo desenvolve uma caracterização exterior a partir de si mesmo e de outros; tirando da vida, real ou imaginária conforme sua intuição e observando a si mesmo e aos outros, tirando-a da sua própria vida, experiência da vida ou da de seus amigos, de quadros, gravuras, desenhos, livros etc... Capítulo II Vestir a personagem - Esta aula tem como discussão, a descoberta do personagem pelo externo caminhando para o interno, e discute também outros detalhes. Todos foram para as salas de figurinos procurar roupas e acessórios para a mascarada que seria realizada 3 dias depois. Os outros alunos escolheram rapidamente mas, o rapaz observador não achava nada. Procurava algo atraente. Depois de algum tempo ele identificou-se com um velho fraque meio esverdeado/amarelado. Mas ele não achava uma personagem para aquela roupa de homem mofado. Ao ir para a casa, ele tentou encontrar a personagem entre fotos velhas em uma loja de artigos de Segunda mão, mas não achou nada. No dia da mascarada, ainda não havia achado o personagem. No camarim todos se preparavam na maior algazarra e isso o irritava, pois ele não conseguia concentrar-se em como seria aquele homem mofado. Já maquiado e com a roupa, ficou sozinho no camarim estava desistindo de apresentar-se ao diretor. Começou a remover a maquilagem quando surgiu com a mistura um tom esverdeado/amarelado no seu rosto. Ele espalhou mais creme pela barba e cabelo. Mudou a cartola de ângulo e entortou as pernas para dentro, de uma forma ridícula. Pegou uma bengala e também solicitou a um serventeque buscasse uma pena de pato para pôr atrás da orelha. Surgia para ele o personagem de um crítico rabugento, destes que têm prazer em achar o defeito dos outros. Kóstia se transformou neste crítico. O diretor Tórtsov viu aquela figura e começou a questioná-lo: - É você Kóstia? ele respondeu com outra voz e com um andar diferente - Sou o crítico! - Que crítico é você? perguntou Tórtsov - Da pessoa com quem vivo! - E quem é? prosseguiu Tórtsov - Kóstia. - E você entrou na pele dele? - Se entrei! - Quem deixou? - Ele. E prosseguiu. O diretor o cumprimentou pelo belíssimo trabalho. Ele voltou para casa realizadíssimo por Ter experimentado a vida de um outro ser. ?Enquanto ele tomava banho, lembrou-se de que representando o papel do critico ainda assim não perdia a sensação de que era ele mesmo. Chegou a esta conclusão porque enquanto representava, sentia um prazer imenso em acompanhar a sua transformação. Era o seu próprio observador ao mesmo tempo em que a sua outra parte estava sendo uma criatura crítica, censuradora. Ele levanta uma pergunta.? Mas posso acaso afirmar que essa criatura não faz parte de mim? Derivei-a da minha própria natureza. Dividi-me, por assim dizer , em duas personalidades. Uma, permanecia ator, a outra, era um observador. Por mais estranho que pareça essa dualidade não só não impedia, mas até promovia meu trabalho criador. Estimulava-o e lhe dava ímpeto. Capítulo III Personagens e tipos - Neste capítulo, o diretor fez as conclusões sobre a mascarada. De como os jovens atores se prendem com a vaidade para a interpretação, isto é, não existindo a preocupação em ser um personagem diferente, mas sim em brilhar em cena e exibir seus dons de beleza. Ele também fala sobre outros tipos de atores que procuram caminhar para o campo da caracterização, porque não dotados de belezas físicas e então procuram cativar o público por outros meios. Destes tipos de atores, eles acabam seguindo por 2 caminhos e estes exemplos estiveram na mascarada. O primeiro é o dos atores que se deixam levar para a trilha falsa dos clichês e da super atuação. Um dos exemplos dados neste capítulo é como representar um camponês. Ele assoa o nariz sem lenço, anda desajeitadamente, enxuga a boca na ponta do seu gibão de pele de carneiro, etc... Todos estes clichês generalizados são tirados da vida real e transmitem um personagem, mas não são individualizados. De todos os alunos que realizaram a mascarada, somente Kóstia realizou um personagem individualizado. Kóstia explicou que não conseguia discutir com o diretor (encará-lo), como havia feito quando representava, porque na vida real ele tinha uma admiração e respeito pelo diretor. Este foi um dos fatores que mostram como ele viveu o personagem do crítico asqueroso. ?Este capítulo pode ser resumido em uma frase que está nele: A Caracterização é a mascara que esconde o indivíduo-Ator. Protegido por ela, pode despir a alma até o último, o masi íntimo detalhe. Este é um importante atributo ou traço da transformação.Capítulo IV Tornar expressivo o corpo - Neste Capítulo, Kóstia conta sobre as pequenas tarefas de exercícios do corpo que ajudam o ator. Os exercícios físicos também ajudam no raciocínio, como o diretor explicou quando começaram a Ter aulas de cambalhota com um palhaço de circo. Esta atividade ajuda a desenvolver a qualidade da decisão. ?Trecho do livro: Para um acrobata seria desastroso demais ficar devaneando logo antes deexecutar um salto mortal ou qualquer outra proeza de arriscar o pescoço! Nesses momentos não há margem de indecisão. Sem parar para refletir, ele tem de entregar-se nas mãos do acaso e da sua própria habilidade. Tem de saltar, haja o que houver. È exatamente isso que o ator tem de fazer quando chega ao ponto culminante do seu papel. Tem de agir e tem de executar o salto a todo pano.
Leia o livro completo. Se você quer ser ator ou atriz de verdade, seja em teatro, TV ou cinema, a leitura é o inicio de tudo. Não seja um ator medíocre que sobe no palco sem saber explicar sua arte. Estude, aprenda, desenvolva seu talento.



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